As Musas
Rosa Fernan desenvolve em”As Musas” uma reflexão sofisticada sobre criação artística e condições materiais de existência.
A protagonista Kelly navega entre o trabalho doméstico precarizado e o sonho de se tornar cantora de brega, gênero musical marginalizado mas profundamente enraizado na cultura popular.
O filme recusa visões romantizadas da inspiração artística, mostrando como a criação é sempre atravessada por determinantes sociais e econômicos.
A “musa” que Kelly encontra não é entidade etérea, mas espelho de suas próprias possibilidades e limites.
A direção constrói um realismo social permeado de elementos simbólicos, onde o cotidiano e o imaginário se contaminam mutuamente.
É um retrato sensível da complexidade da subjetividade feminina na periferia.

