Ava Kuña, Aty Kuña
Este documentário coletivo realiza um gesto epistemológico importante ao recusar o lugar tradicional da antropologia como mediadora de culturas indígenas. Ava Kuña, Aty Kuña entende que a assembleia das mulheres Guarani Kaiowá não é objeto a ser documentado, mas espaço de produção política e simbólica que deve falar por si mesmo.
A abordagem poética não diminui o caráter político do filme; antes, revela que o político se manifesta tanto em discursos quanto em gestos, cantos, modos de ocupar o espaço e tecer relações.
A obra desafia separações modernas entre razão e emoção, mostrando como o pensamento crítico e o afeto se entrelaçam nas práticas políticas indígenas.
É um filme sobre protagonismo, mas também sobre os desafios da escuta e da tradução entre mundos.

