Coleção

Curtas que tratam de gênero, sexualidade, transição e reinvenção do eu.


Esta coleção reúne filmes que pensam o corpo como fronteira em movimento e a identidade como processo, nunca como forma estável.

São obras que tratam de gênero, sexualidade, infância, desejo e reinvenção do eu, muitas vezes por meio de performances, silêncios, experimentações formais e linguagens híbridas.

Em Mulheres (em) Trans/e, As Melhores e O Quarto de André, o cinema torna-se território de transformação.

As narrativas partem da experiência vivida, mas se expandem para o simbólico e o fabulado.

Mais do que representar identidades, esses filmes performam a mudança, explorando aquilo que se desloca, se reinventa e resiste a definições normativas.


As Melhores

Renata Mizrahi constrói em As Melhores uma narrativa matriarcal que ressignifica noções de excelência e herança. A ilha de Paquetá funciona como microcosmo onde é possível imaginar organizações sociais alternativas, baseadas em linhagens femininas de saber e prática.

A pesca, tradicionalmente território masculino, é reapropriada como herança afetiva transmitida através de gerações de mulheres. O conflito entre mãe e filha revela tensões entre tradição e renovação, entre ser “como” a mãe e encontrar o próprio caminho. A reconciliação final não apaga diferenças, mas demonstra que a excelência pode ser plural e compartilhada.

O filme opera uma crítica sutil aos modelos competitivos de sucesso, propondo em seu lugar uma ética do cuidado e da continuidade.

MULHERES (EM) TRANS/E

Milla Paz, Axyá e Josiene constroem em MULHERES (EM) TRANS/E um documentário que é fundamentalmente sobre reconhecimento – entre mulheres trans que compartilham experiências, mas também reconhecimento social que lhes é sistematicamente negado.

O filme recusa didatismos explicativos para espectadores cisgêneros, preferindo que mulheres trans narrem suas próprias vivências em seus próprios termos. As histórias das duas protagonistas não representam “a” experiência trans universal, mas incorporam singularidades irredutíveis que se cruzam sem se confundir.

O título joga produtivamente com a ideia de trânsito e transformação, mas também com a possibilidade do “e” – não ou/ou, mas e/e.

É possível ser trans E construir vida comunitária, reconhecer o estigma E produzir orgulho, habitar contradições sem precisar resolvê-las.

O Quarto de André

Thiago Barba constrói em O Quarto de André um retrato sensível e sem condescendência da infância queer no interior brasileiro.

André, com sua imaginação apurada (ou capacidade de ver coisas que adultos não veem), usa o quarto simultaneamente como refúgio e prisão.

Para uma criança queer em cidade pequena e conservadora, o espaço privado torna-se ambivalente: único lugar de segurança, mas também isolamento imposto pela hostilidade externa.

Barba leva a sério tanto o medo quanto a imaginação de seu protagonista, tratando seu universo interior não como fantasia infantil inocente, mas como realidade legítima e estrategicamente necessária para a sobrevivência psíquica.

O filme termina na tensão fundamental entre desejo de proteção e necessidade de existir no mundo com todos os riscos que isso implica.

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