
Território coletivo
Narrativas que refletem sobre o espaço social, a luta política e os modos de existir em comunidade, do campo à cidade.
Aqui, o cinema é compreendido como prática de mundo. As obras desta coleção refletem sobre o espaço social, a luta política e os modos de existir em comunidade, do campo à cidade.
O território aparece não apenas como paisagem, mas como corpo, memória, trabalho e disputa.
Os filmes Canto de Acauã e Lá na Frente deslocam a política para o cotidiano: um canto, uma assembleia, um gesto de trabalho, um corpo que insiste em existir.
O olhar é coletivo e sensível; a câmera se coloca junto, e não acima. São filmes que compartilham um mesmo gesto ético: filmar para existir, filmar para continuar.

Canto de Acauã
Jaya Pereira constrói em Canto de Acauã um documentário que opera uma virada decolonial na representação de comunidades quilombolas.
O filme recusa completamente o olhar antropológico tradicional, que observa de fora e explica para consumo externo. Em vez disso, habita poeticamente o território, deixando que memória, lutas e encantamentos se manifestem em seus próprios termos.
Cantos, danças e relatos não são organizados em narrativa linear explicativa, mas apresentados como fragmentos de uma cosmologia que não precisa se justificar para existir.
A retomada do território ancestral não aparece como evento passado, mas como presente contínuo, luta permanente inscrita nos corpos e nas vozes. É cinema como ato de resistência epistemológica.

